terça-feira, 24 de maio de 2011

A ruiva do espelho

Nunca gostei de espelho. Nem tanto por um problema de auto estima. Isso não é um problema pra mim. Mas não gosto de espelho pela mesma razão que eu tenho pra não gostar de aparecer em fotografias. O problema é que eu não me reconheço.
Eu sou capaz de entrar num banheiro, escovar meus dentes e não me olhar no espelho. Não é que eu fique olhando pra parede nem nada assim, mas não me olho. Não me observo. No caso de escovar os dentes, olho pra minha boca, pros dentes, pra língua, mas não me olho como um todo.... Posso sair do banheiro com um papel grudado na minha testa e não vou ter nem reparado. No fundo não era eu que estava ali. Isso acontece quando vou arrumar o cabelo, fazer maquiagem... quando ando no shopping (nunca vi lugar pra ter mais espelho).
A questão é que a ideia que eu faço de mim, é diferente do que aparece ali no espelho ou na fotografia.
Eu me vejo por dentro, e é só assim que eu me conheço. Quando tento me imaginar, digo a minha figura, não me imagino de uma forma física, então quando me vejo, me estranho.
Pensar nisso me perturba um pouco, por que as vezes me percebo em duas pessoas diferentes. A que eu sou de verdade, e uma outra que é sem mim.
É tão complexo que não sou capaz nem de entender, que dirá de explicar.

Ju

terça-feira, 17 de maio de 2011

3x4

Fui tirar uma foto 3x4 pra renovar a minha carteira de motorista. Não consigo entender o intuito de se colocar fotos 3x4 nos documentos... não sei se pelo formato, ou pela formalidade da coisa, mas fato é que ninguém nunca se parece com quem realmente é em fotos 3x4. Ter aquilo como referência pra identificar a pessoa é ridículo. Se pegar todas as fotos 3x4 que eu tirei na minha vida, posso falar tranquilamente que são pessoas diferentes e não tem quem duvide.
Toda vez que tenho que apresentar minha identidade e olham a foto eu corro o risco de ser processada por falsidade ideológica ou roubo de documentos... Só eu acredito que aquela pessoa da foto sou eu. Quem olha o documento nunca acredita.
Quando fui tirar a foto do passaporte, o agente da polícia que fazia os passaportes teve um trabalhão... devem ter sido umas 20 fotos, e eu olhava falava: não, não sou eu. Tira outra. E lá ia ele... todo paciente, tirar mais uma... umas 20 tentativas depois eu desisti. Não ia nunca parecer comigo mesma numa foto. Ficou aquela outra moça lá mesmo...

Ainda pensando nisso, já que a gente nunca parece com a gente mesmo, bem que podia ser permitido colar no documento a foto de quem você quisesse. Vou colar uma foto da Sandra Bullock no meu crachá. Não precisa parecer comigo de qualquer forma!

Ju

sexta-feira, 13 de maio de 2011

PA RA bo LA PA RA LU

Era uma vez um menininho. Ele estava passeando com sua mãe em um parque. Era um dia bonito de sol. O menininho, com a energia que é peculiar a uma criatura de 8 anos, pulava e corria para todos os lados.
O menininho era filho do meio, e como tal se esforçava absurdo para agradar sua mãe. Nesse dia passeavam só os dois. Como a atenção era só dele, coisa rara, ele queria mostrar pra mãe – uma verdadeira heroína na visão dele – o quanto ele era bom! Como ele era forte!!!
Ele subiu em uma das árvores e acenou lá de cima: "aqui, mãe!!! Olha como eu tô alto!". A mãe ria e aplaudia cada façanha do moleque!
"Mãe, posso pular daqui de cima??"
A mãe preocupada alertou: "Não filho, venha, me dê a mão que eu te ajudo a descer. É muito alto"
Mas ele, querendo mostrar sua força pra mãe, disse: "Não precisa ajudar, mamãe, eu consigo, olha!" e pulou lá de cima! Quando aterrissou, caiu no chão, mas ganhou apenas um arranhão e muita poeira.
A mãe aplaudiu de novo! Ela nem esperava que ele conseguisse pular de tão alto! "Esse menino é mais forte do que eu pensava!"
O orgulho que o menino via nos olhos de sua mãe, fazia ele querer provar cada vez mais o quanto ele era capaz!
"Olha mãe, agora vou me equilibrar aqui nesse galho!" "Mãe, você duvida que eu consiga pegar aquela fruta?"
Menininho em êxtase e a mãe cansada da caminhada, decidiram parar sob uma sombra na beira do rio pra descansar. O menininho não queria parar! A mãe dele nunca tinha olhado pra ele com aqueles olhos! Então ele sugeriu: "Mãe, posso levantar aquela pedra?"
A mãe, observando o tamanho da pedra em questão falou: "Filho, essa pedra é muito grande."
"Mãe, eu quero te mostrar que eu consigo!"
E o menininho tentou e tentou e tentou. A pedra era realmente muito pesada. Mas ele não queria decepcionar sua mãe, ele tinha que conseguir. Tentou, tentou, e nada.
Até que ele voltou muito cabisbaixo para perto da mãe.
"Puxa, mãe! Eu não consegui levantar aquela pedra. Eu queria tanto, mas não fui capaz. Desculpa."
A mãe ficou observando seu filhote com carinho, passando a mão na sua testa suada.
De repente o menininho falou: "Mãe, você me ajuda a levantar aquela pedra?"
A mãe rapidamente se levantou eu foi ajudar seu filho, e juntos, sem muita dificuldade levantaram a pedra.
Ela viu ali a chance de ensinar a seu filho uma lição das mais importantes:

Às vezes, a maior prova de força que uma pessoa pode dar, é conseguir pedir ajuda.

Foram pra casa felizes.

Pequena parábola enfeitada e recheada de perfumarias por mim, baseada numa história contada no 10° episódio da 14a temporada do seriado ER

Ju

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Irrelevâncias

Não importa o time que perde, o filme que passa, a lei que deixa de ser votada.

Não importa a criança que chora, a conta não paga, o preço do combustível.

Não importam as palavras não ditas, as palavras mal ditas, os pensamentos malditos.

Não importa o gosto da comida, o trabalho represado e relatórios pendentes.

Pouco me importa o conceito de certo e errado, de planejado ou do inesperado.

Não me importa o antes, nem o depois.

 

Tem momentos em que tudo que importa é a lembrança do peso do seu corpo sobre o meu.

Ju

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O aniversário do poetinha

Em 11 de maio de 2001, às 6 horas da manhã eu fui acordada por uma enfermeira do Hospital Brasília com a seguinte frase: "Bom dia, mamãe! Espero que vc tenha aproveitado o que pode ter sido a sua última noite inteira de sono por um bom tempo na sua vida!!".
Ela mandou eu ir tomar um banho e me preparar, que a hora estava chegando!
Não tinha dormido nada à noite (a barriga era muito grande e a ansiedade maior que ela), então tentei relaxar bem no banho.
Lavei a minha barriga com muito cuidado. Me despedi dela! Daquela barrigona que carregava o que ia mudar a minha vida dentro de alguns instantes.
Depois daquele banho o tempo ficou louco. Deixou de passar normalmente e começou a voar, fazendo tudo virar um turbilhão de acontecimentos.
Sala de cirurgia, e às 8:10 eu escuto aquele chorinho do menino mais vermelho e narigudo que eu já vi na vida! O mais lindo de todos!!
No quarto eu recebo aquele pacotinho cabeludo tão pequeno e indefeso... e a partir daí eu percebo como cada pequena mudança, cada pequeno avanço na vida de uma pessoa faz diferença... é um umbigo que cai, um banho sem choro, uma mãozinha que agarra seu dedo com força, um momento de sono no meio da tarde, a cara de zumbi dos familiares, fraldas (muitas delas), um sorriso, ficar sentado, os gritos (como o Vi gritava!!), brincadeirinhas, músicas, passos inseguros, um bolo da festa de um ano cheirando na cozinha, passos mais seguros, brincadeiras diferentes, um bebê de uniforme de escola e fraldas, natal, presentes, pulos, velotrol, enfeites da festa de dois anos espalhando purpurina pela sala, músicas cantadas por uma vozinha de bebê, mas bem afinadinha(!), palavras engraçadas, natação, pracinha, amiguinhos, festa do aniversário de três anos de homem aranha, brinquedos com rodas (muitos deles), bicicletas, dia das crianças, festas na escola, ter que sair pra trabalhar, mais um natal com a presença do Papai Noel que emociona mais os adultos do que a única criança da família. Mais um ano letivo, novos amigos, festa de 4 anos com os amigos da mamãe presentes, os novos amigos. Muitas traquinagens, frases inusitadas, "quero ser engenheiro petroquímico" seja lá de onde ele tenha tirado essa idéia ou essa palavra. Viagens, churrascos, companheirinho das farras da mamãe, almoços no Beirute, estralinhos e bolinhas de sabão muito caras. Festa de 5 anos com esfirras e muitos amigos, copa do mundo e campanha política, mais viagens e bagunças, Natal, o primeiro ano novo sem a mamãe. Inicio do ano letivo no 1° ano do ensino fundamental. Palavras lidas e escritas. E hoje, 11 de maio de 2007, a comemoração na escola do 6° aniversário do meu bebê. Aquele pacotinho cabeludo que eu recebi no quarto em 2001.
Meu bebê, que tem três mães, mas me devota um amor que nem mesmo sei se é merecido!
Que respeita o meu sono, contradizendo a enfermeira que me acordou no dia mais feliz da minha vida!
Parabéns pra mim, pelos 6 anos de maternidade e pro Vi, meu poetinha tão amado, pelos 6 anos de vida!
Filhão, você é do balacobaco!! Amo demais!  

*texto escrito em 2007, em homenagem ao aniversário de 6 anos do Vinicius e publicado hoje, novamente, em homenagem ao seu décimo aniversário.

Ju