quinta-feira, 30 de junho de 2011

Alguma coisa está fora da ordem

Foi assinada pela Presidenta Dilma e pelos Ministros da Justiça e Educação uma alteração na lei de execução penal que autoriza o desconto de um dia de pena para cada 12 horas que o detento freqüentar aulas.

Olha, ou tem alguma coisa muito errada no mundo ou na minha cabeça, não é possível.

A princípio, a pessoa que se encontra presa, cumprindo pena em um presídio cometeu um crime. Ela roubou alguém, um trabalhador que precisava do dinheiro pra comprar comida pra sua família. Roubou um carro de uma mãe pagava em prestações pra levar seus filhos a escola. Roubou dinheiro público, que seria investido em um hospital. Esse criminoso assassinou o filho de alguém, o pai de alguém. Acabou com a estrutura de uma família. Criou traumas violentos em pessoas. Bateu em velhos. Abusou de crianças. Estuprou mulheres. Esse criminoso não merece ter uma lei que cuide de seus direitos. As vítimas dele mereciam ter.

A nova redação dessa lei, além de garantir a redução da pena vinculada à freqüência nas aulas, mantém ainda a possibilidade de trocar dias de trabalho por tempo de condenação.

Eu, todos os dias, levanto cedo e venho pro trabalho. Trabalho pra pagar a comida que eu como. Pra pagar o teto que eu moro, o colchão em que eu durmo. Trabalho pra poder pagar o meu direito a lazer. Eu trabalho para pagar impostos que me garantam segurança e impeçam que um filho de uma puta malacabado desses me roube o que eu tenho e conquistei no dia a dia. Trabalho pra que o nível de segurança da sociedade seja suficiente para que eu e os meus não sejamos vítimas de um seqüestro ou um assassinato.

Mas o detento bonitão tá lá no presídio, (que tem uma péssima estrutura e tem mesmo que ter, já que não é um hotel aquela merda) e com o dinheiro do imposto que eu pago, ele come. Ele joga bola à tarde, depois do vale a pena ver de novo, enquanto eu to aqui trabalhando pra pagar mais impostos. Ele fica putinho por que resolveram não deixar mais entrar celular no presídio - afinal de contas, de novo ele não está lá de férias, mas sendo penalizado por algo de errado que fez – e queima os colchões em protesto. O que a gente faz??? Trabalha mais pra comprar colchões novos pro maldito.

Ele trabalha não é pra pagar a comida, o futebol, a ginástica, a televisão e o colchão não. Ele trabalha pra ficar menos tempo preso. Ele trabalha e ganha um bônus! Como ele é bonzinho!

E agora, mais essa. O fato do malacabado freqüentar a escola já deveria ser considerado um bônus.
Caso ele trabalhasse, ele teria direito de comer, dormir e até a freqüentar a escola. Isso não pode ser o fato gerador de mais um benefício.

A educação que eles precisam pra se reenquadrar na sociedade não é aprender o be-a-ba, não. Isso é pras crianças. Pra sociedade. Pras pessoas de bem. Os presidiários devem ser reeducados sim, presos com correntes e bolas de ferro, tampando buracos de estradas e rodovias. Quebrando pedras. Limpando bocas de lobo das cidades. Reformando os presídios e escolas. A educação que se deve dar é que as coisas que se tem (comida, colchão e lazer) são conquistadas com trabalho. Que ele até tenha direito a freqüentar a escola, mas mediante pagamento em serviços e que isso não reduza em nem um único minuto a sua pena.


Ju

terça-feira, 28 de junho de 2011

unring the bell

A frase "unring the bell" é uma analogia usada para sugerir a dificuldade de se esquecer uma informação que já é sabida. Uma vez ouvi essa frase e percebi nela um outro significado, bem semelhante, mas menos abstrato quanto deixar de saber algo. Pensei nela como não existir um sino destocado. Tocou, tocou. O som já foi. As pessoas ouviram, saíram de suas casa para a missa ou seja lá o que for.
E se aquele sino não tivesse tocado? E se aquelas pessoas não tivessem saído de casa pra ir à missa? E se aquele passarinho que estava lá pousado no campanário não tivesse voado? E se... não adianta. Não rola. O sino não pode ser destocado.
As pessoas podem até voltar pra casa mesmo depois de ter escutado o sino. Elas podem achar que está frio demais, ou calor demais pra ir à missa. Podem resolver parar no meio do caminho pra tomar um sorvete.
A missa pode até não acontecer. O padre pode desistir, pode ter fugido com uma beata, pode estar cansado ou ter enchido a cara de vinho e não ter condições nem de ficar nem de pé.
O passarinho que estava quase acabando de fazer o ninho e fugiu assustado quando o sino soou pode não achar seguro o caminho de volta e acabar sua vida sem se reproduzir. Ou pode encontrar um pedacinho de palha ainda melhor que aquele outro que ele já tinha, e fazer um ninho mais confortável pra sua passarinha.
O fato é que o sino não pode ser destocado.
Se voltando no tempo o sino não tivesse sido tocado, seria tudo muito mais fácil? Por que o efeito cascata de eventos criados pelo soar do sino não teria se iniciado. Teria sido aquela tarde de domingo diferente?
Diferente não significa melhor.
Diferente não significa pior.
Diferente não significa sequer que a posição final de todos os envolvidos não seria rigorosamente a mesma caso o sino tivesse soado.
A questão é que não se sabe. É uma realidade que não se tem.
O que se tem é um sino tocado. E é essa a verdade com a qual precisamos lidar. Boa ou ruim. Fácil ou difícil. 

É assim que eu quero tentar enxergar as coisas.

Da série: tenho uma antipatia... amiiiigaaaa!!!

A pessoa trabalha comigo e esse é todo o relacionamento que existe entre nós. Tão somente a proximidade entre as baias. O nosso trabalho não é conjunto. O que ela faz não interfere em nada no que eu faço. Eu não conheço a família dela. Não me interesso pelos problemas que ela tem em casa. Não quero saber se os filhos dela ficaram de recuperação. Eu não estou nem aí se ela vai fazer aula de inglês no oitavo andar. Não tenho o menor interesse em como o mecânico  falou que ia arrumar o carro dela. A única coisa que me diz respeito é que a criatura vai sair de férias, e eu fiquei responsável em repassar as mensagens de e-mail que chegassem na caixa dela a quem fossem tratá-las. Só. Para que isso aconteça, me sentei ao lado dela para pegar as orientações básicas de qual e-mail eu devo encaminhar pra quem. Só isso.
O que eu não consigo entender é como, de que forma esse contato gera a liberdade e a necessidade de ela passar a me chamar de “amiga!”, como se eu não tivesse um nome ou como eu fosse surda.
Tenho uma antipatia de meros conhecidos chamando os outros de “amiiiigaaaa”.
Não é possível que isso seja implicância minha... isso é muito chato

Ju

domingo, 26 de junho de 2011

domingo

Um dia eu queria ser capaz de entender o que o universo quer dizer com o domingo. Por já não basta ser irritante o suficiente o fato de a segunda feira estar chegando e você ser obrigada a encarar novamente desde o princípio mais uma semana, com todas as aporrinhações dos serviços, aulas, compromissos, renovações, renegociações, além do famigerado "mais do mesmo", o domingo ainda vem com uma sensação física de tédio irreversível.
As pessoas me chamam pra sair, sei lá cinema, jogo de futebol, samba, cervejinha num boteco... mas humpfff
Tem filmes interessantes pra assistir e eles até me ajudam a matar 3 ou 4 horas, mas humpfff...
Tenho uns livros bem legais em andamento, mas que diabo de tédio é esse????? não tem saída daqui, é isso?
Domingo é pra mim um assunto recorrente, e sempre chato.

Ju

sábado, 18 de junho de 2011

sem rumo

Eu passo por épocas na minha vida em que eu tenho total controle da situação (ou pelo menos imagino ter) e isso dá uma sensação de conforto. Eu gosto disso. Nessas situações eu sei o que fazer, o que pensar, o que sentir, o que vestir. Sei o que falar, o que fazer com as mãos, o caminho mais curto pro trabalhao. Sei como arrumar meu cabelo, como (não) combinar minhas roupas, qual cor de batom vai ficar melhor.

Mas as vezes, algumas coisas acontecem (ou deixam de acontecer) na vida da gente e acaba que ficamos meio sem rumo. Outro dia eu pedi pro cara pintar meu cabelo de vermelho, ele tacou um castanho e alegou qe vermelho tava fora de moda. Eu nada fiz. Todos os dias, agora, eu pego caminhos ou entradas erradas no trânsito e daí, engarrafamentos. Eu, pessoa que gosta tanto das antecedências, não sei o que vou fazer nem amanhã, que dirá semana que vem, ou no outro mês. Paro na frente da geladeira, armário da cozinha e fogão e a única coisa que sai sou eu de casa pra pegar um sanduíche no drive do Mc Donalds. Fico parada com o telefone na mão, sem saber se ligo, mando mensagem, envio email, posto no blog ou jogo angry birds. Vou na locadora com uma lista de filmes sugeridos e erro pelos corredores sem saber o que escolher.

Gosto disso não. Sei lá o que ocorre. Conjunções astrais, canseira mental, coração em modo de espera, nao sei a causa, mas eu quero o meu controle de volta.

Ju

terça-feira, 7 de junho de 2011

Da série tenho uma antipatia.... fone de ouvido

Quando a gente tá no trabalho e quer escutar uma musiquinha, não pode ser uma coisa escancarada. Tem chefe que nem gosta que a gente fique escutando música, tirando o fato de que a gente tem que ficar atento se alguém chama ou o telefone toca. É um saco, por que os fones de ouvido que são possíveis de serem usados nessas situações em que a discrição é necessária são, invariavelmente, horríveis.
Eu tenho uma antipatia de fone de ouvido que não cabe na minha orelha. Aliás, não acredito que aquilo caiba na orelha de ninguém. Pelo menos não de forma confortável.
É a mesma situação de coisas “tamanho único”. Como assim, tamanho único? Tamanho de quem? Por que, sério se eu der uma rápida olhada ao meu redor eu vejo pessoas de tamanhos tão diferentes que até os bons e velhos P, M e G não são suficientes.
Minha orelha não é de um tamanho único. Ela deve ser P. Talvez uma das únicas coisas P em mim e não cabe nenhum fone de ouvido.
Na verdade eu queria escutar música no trabalho com aqueles fonezões de pessoal que trabalha em aeroporto...
Aí sim!



Ju