terça-feira, 26 de julho de 2011

Eu, modo de usar (roubado)

"Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer em mim um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.


Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar."


A Martha Medeiros e sua péssima mania de falar por mim. (link no título)


Ju

sexta-feira, 22 de julho de 2011

homo sapiens

A notícia é boa! É ótima! Brasileiros desenvolveram um exame capaz de detectar câncer de próstata por meio de pequenas amostras de sangue ou esperma. Menos invasivo. Quando leio essa notícia eu penso em duas coisas.    
A primeira é que só se descobriu esse novo método de exame por que vivemos numa sociedade machista. É uma constatação, não uma reclamação.
Mulheres se submetem a exames ginecológicos invasivos anualmente há décadas, e ninguém nunca se preocupou em desenvolver para nós um exame preventivo melhor.
Alegam que por medo e preconceito apenas 32% dos homens se submetem ao exame de toque. As mulheres, bem caladinhas aprenderam que é necessário enfrentar o medo e o preconceito e fazer o papa nicolau. E então é assim, elas se comportaram direitinho, não tão fazendo barulho deixa tudo do jeito que tá, não tem problema que o exame seja invasivo, desconfortável. Eles que tem “medo e preconceito” e se recusam a se submeter ao toque, ganham pesquisas que levam à melhora do que estava incomodando. Não é uma constatação, é uma reclamação, agora.
Com crianças e adolescentes não fazemos assim... quem se comporta é que ganha o prêmio. O mal criado fica de castigo até aprender.
Tem como melhorar o exame preventivo feminino também. É só direcionar as pesquisas pra lá. Assim como as outras coisas que incomodam a mulherada como cólicas menstruais, absorventes e efeitos da menopausa. Se homens que sofressem com isso, pesquisas teriam melhorado também nessa área.

E isso me leva à segunda coisa que a noticia me faz pensar. A nossa espécie é capaz de enfrentar quase que qualquer crise que apareça pela frente. Crise de petróleo, água, alimento... fácil a gente resolve. A cabeça certa na frente do problema, investimento na área (que em momentos de crise, não vai ser difícil) e o problema vai ter solução. Vai ser uma fonte de energia diferente, mais barata ou mais cara, não importa, mas uma que não seja esgotável, ou que pelo menos dure por mais algumas gerações. Vamos dessalinizar água do mar, e matamos a sede de todos. Ou desenvolver métodos de purificação e limpeza para reutilização de água de chuva. Isso não vai ser problema. Vamos ter laboratórios desenvolvendo o melhor pedaço de carne, sem a necessidade de se criar um animal e ter que esperar que ele cresça, engorde e sem precisar matar o bichinho. Não que eu tenha problema com isso, não tenho. Eu estou no topo da cadeia alimentar por alguma razão, afinal, mas pela facilidade da coisa. Vamos desenvolver sementes que precisem de menos tempo pra crescer. Legumes e verduras enriquecidos com os nutrientes que faltam nas pessoas. Vão falar que essas coisas feitas em laboratório dão câncer e tal. Mas vai ter outra cabeça pensante lá na área dos remédios... é uma questão de se destinar recursos. Por causa de uma crise, ou por interesses financeiros ou de gênero.

Acredito muito na capacidade da minha raça. Depende da cabeça certa.

Ju

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Real

Ao sentimento que é uma coisa abstrata.
Talvez abstrata demais.
Sentimento pra ser sentido.
Sentimento pra ser dito, escrito, ouvido, lido, gritado aos quatro ventos.
Sentimento que transborda.
Sentimento sem pra quê. Nem por quê.
Sentimento que gera dúvida, gera culpa, gera pena.
Sentimento que faz sentir como não devia. Que faz sentir não tanto quando devia. 

Sentimento abstrato.
Sentimento que se mostra. Que se mostra em atitudes, se mostra em gestos, presentes, presenças, preocupações.
Sentimento que se esconde com medo de outros sentimentos. Medo da falta de sentimentos. E se poda.
Sentimento de esperança. Já sem esperança. De ser real.
Uma realidade abstrata. Abstrata demais, talvez.
E cheia de sentimentos. Que transborda de realidade. Realmente abstrata.
Realmente sentimental. Realmente real. Palpável.
Toque real. Toque com sentimento. Toque com sentimento real. Mas que é real.
Real por que acontece de verdade. 

E é de verdade. 
E se baseia num sentimento de verdade. 
Abstrato, mas real. Na realidade, abstrato e de verdade.
Real. É assim que é. Real.





Ju
PS. Texto meu, de 2007. Velho, mas o texto é meu e eu faço com ele o que eu quiser

segunda-feira, 18 de julho de 2011

da série tenho uma antipatia... desculpas esfarrapadas

“O time jogou muito bem, só faltou mesmo o gol” Aaahh, vá? Sério?
O futebol é um jogo cujo o objetivo é chutar (cabecear, barrigar, empurrar com a mão, ombro ou cotovelo, se o juiz não tiver prestando muita atenção) a bola pra dentro do gol. É isso. Simples assim.
O objetivo do jogo não é “jogar bonito”. O objetivo do jogo não é ter 80 chutes a gol, ou chances reais de marcar, nas estatísticas apresentadas pelos comentaristas.
O objetivo do futebol é pura e simplesmente enfiar a droga da bola dentro do gol.
Eu tenho uma antipatia de desculpa esfarrapada...
Ah, o time tal perdeu, mas jogou bonito! Apresentou o famoso futebol arte! Aquele futebol moleque do brasileiro.... perdeu? Então perdeu.
Ah, mas jogar na altitude, a bola fica mais rápida, o ar fica rarefeito. Sério?
Ah, por que esses jogadores só tiveram 3 dias de treino coletivo e não ficaram entrosados. Sério?
Ah, por que hoje não era dia do futebol brasileiro, sério?
Quem não tem competência não se estabelece.
Odeio a falta de capacidade que se tem de admitir erros, faltas. Inventa-se todo tipo de desculpa pra justificar o que, por vezes, é injustificável.
Eu sei que os jogadores só estão respondendo às perguntas dos jornalistas: “o que aconteceu?” Uai, o que aconteceu? Voce não viu o que aconteceu? A bola não entrou. Foi isso que aconteceu,
Se no meio do jogo uma nave tivesse descido no meio do campo, abduzido os jogadores e eles só tivessem sido devolvidos aos 45 minutos do segundo tempo, a pergunta é pertinente. Em quase nenhuma outra situação é.
Eu lembro de uma lista que foi publicada numa Revista Capricho nos idos dos anos 90 de 101 desculpas esfarrapadas para não comparecer em algum compromisso... coisas do tipo “não posso ir, vou contar as cerdas da minha escova de dentes”, “não posso ir, hoje é a final do campeonato de jogo da velha no meu prédio” e “não posso ir, tenho que levar a minha avó pro exame de faixa do tae kwon do.”. 
Não sei por que, mas vendo o camarada lá falando que “so faltou o gol” me lembrei dessa lista.
Bom, pelo menos eu não perdi meu tempo assistindo ao jogo, mas ainda assim, tenho que passar raiva vendo os noticiários. Antipatia.
Ju

quarta-feira, 13 de julho de 2011

despertador

Algo parecido com um despertador toca dentro da minha cabeça há um tempo. Eu entendo que tá na hora de acordar pra alguma coisa, mas ainda não descobri pra o que que é. Fico repassando meus posicionamentos, atitudes atrás de alguma situação em que eu possa estar “dormindo no ponto”, mas não encontro... se eu realmente estou dormindo no ponto, eu durmo profundamente por que não acho o que pode ser...
Eu fico dando comando de soneca nesse despertador, que até para um pouco de tocar, mas logo volta com aquele trrriiiiimmmm na minha cabeça e eu feito doida tentando identificar pra que que aquilo toca.

Mas hoje eu pensei que, de repente pode não ser um despertador. Pode ser um alarme. Pode ser que, ao contrário de estar dormindo no ponto, eu possa estar é muito ativa e perdendo a mão das coisas. Eu sou muito agoniada, ansiosa, e já tive que escutar algumas vezes que eu tava indo até bem, mas "perdi a mão". Será que é isso de novo? Será que eu "perdi a mão" mais uma vez? Em que que eu "perdi a mão"?

E se for isso mesmo, como é que faz? Como é que mede? Como é que eu faço pra sair do ponto de precisar acordar por que to “dormindo no ponto" sem atingir o ponto que se toca o alarme do “perdeu a mão”?
Como eu faço pra fazer as coisas devagar? Pra pensar devagar? Como faz?

Ju

sexta-feira, 1 de julho de 2011

você acredita...??

Você acredita em Deus? Em deuses? Em fadas? Duendes?
Em terapia das luzes coloridas? Aromaterapia? Em terapia?
Homeopatia? Do-in? Acupuntura?
Você acredita em promessa de político?
Acredita em amor eterno? Em amor à primeira vista?
Acredita em navios?
Você acredita em ETs? Em vida inteligente em outros planetas?
Acredita no chupa-cabra?
Acredita que o homem pisou na Lua?
Acredita que o Paulo Coelho desaparece quando levanta o polegar?
Acredita que o Lula não sabia?
Você acredita que o Elvis Presley tenha morrido? E o Michael Jackson?
Você acredita em milagres?
Acredita naquilo que te contaram?
Acredita que os EUA estavam diretamente envolvidos no atentado de 11 de setembro?
Acredita que exista uma resposta para a vida, o universo e tudo o mais?
Você acredita que dinheiro traz felicidade? Em pilulas emagrecedoras?
Acredita que o Osama Bin Laden tenha mesmo sido jogado ao mar para atender aos preceitos islâmicos?
Acredita em preceitos islâmicos? Nos budistas? Nos wiccas? Nos evangélicos? Nos católicos?
Você acredita que o crime do PC Farias tenha sido passional?
Que o Pedro Collor tenha morrido de morte morrida?
Que o Paul McCartney esteja vivo? E o Fidel?
Acredita que a participação dos “cara-pintadas” teve influência do Impeachment de 1992?
Acredita na memória do povo?
Acredita que seu filho fez o dever de casa? Que ele lavou atras das orelhas?
Acredita em sexo sem amor?
Acredita em fantasmas?
Naqueles desenhos nas plantações de milho?
Acredita em perdão?
Acredita que o tempo cura tudo?
Acredita nas notícias publicadas no jornal?
Você acredita nos seus amigos?
Você acredita nos seus sentimentos? Nas suas verdades? Nos seus conceitos?
Acredita na sua capacidade? Na sua competência?
Acredita que pode seguir sozinho?