Imaginar aquilo era fantástico!!! "Construa e programe seu robô", era tudo o que eu queria fazer desde a minha infância...
Sem competência pra ter estudado o suficiente pra fazer sozinha o meu prórpio robô, vi naquela propaganda um sonho se realizando... O anúncio prometia um andróide capaz de enxergar, interpretar sentimentos e responder às pessoas... e eu seria "master" de um robô. Fantástico!
Eu poderia controlar meu bichinho, que a essa altura na minha imaginação já tinha um nome – Elmer – sem utilizar fios por causa da incrível tecnologia do Bluetooth.
Muito empolgada, eu fiquei!!!
Consumista e doida que sou, quase não prestei atenção no que estava fazendo... Era uma dessas coleções que se compra em fascículos. "O preço da 1ª edição é R$ 7,99; o da 2ª edição é R$ 19,99 e o 3ª edição em diante é R$ 34,99."
Eu ia pagar a medida em que recebesse os exemplares de acordo com o seguinte cronograma: "A 1ª entrega é composta pelas edições 1 e 2. A 2ª, 3ª, 4ª e 24ª entregas são compostas de 3 edições cada. As demais entregas conterão 4 edições cada."
Pois bem, na minha cabeça eu já podia ver Elmer correndo pela casa, todo menino, interagindo com a família! Já tava até pensando em comprar uma réplica em tamanho natural do R2D2 pra que ele não se sentisse sozinho... (pensei na réplica em tamanho natural do C3PO, mas é meio grande... e se ele não puder enxergar e interpretar sentimentos... ah, não é o C3PO).
Pensei no meu filho acompanhando a montagem do robozinho e se interessando pela área. "vou fazer engenharia, mãe" – ele falava no meu pensamento.
Parei de pensar e digitei o número do meu cartão...
Que alegria que foi o dia que os dois primeiros exemplares chegaram! Abri a caixinha e vi várias peças que não poderiam nunca se encaixar... mas era apenas o começo!!! Tinha uma parte da cabeça! E um CD com o software que controla o robô!!! Quando chegou a fatura do cartão, tava lá, o lançamento de R$ 27,98!! Que massa que ia ser!
Dali uns dois meses recebi 3 fascículos de uma só vez!! Mais um monte de pequenas peças! Eu ainda muito empolgada, embora tenha tomado um pequeno susto com o lançamento na fatura do cartão que dessa vez veio R$ 104,97. Pensei que como não tinha sido cobrado no mês anterior, esse mês estava acumulando duas...
Dali um mês... oba! Mais um fascículo! Peraí... mais tres fasciculos... ai que medo da fatura... tava lá R$104,97.
Ficou meio pesado... deixa eu fazer as contas... Putz!!! São 24 entregas!!! Vou receber peças de robo durante 2 anos!!!! E da 5a a 23a entrega seriam 4 exemplares então R$120,00 nesses meses
Como é que eu pude ter a idéia de comprar um brinquedo de R$2.600,00... existem carros que custam isso!! E quando eu pensei assim, percebi que não teria a menor condição de montar o robô... eu teria que pagar alguém pra isso... e depois ainda pensei... será mesmo que eu vou brincar com esse robô? Eu vou ter paciência de esperar receber cada uma dessas peças??? Cruzes!!! Como é que cancela esse treco????
Enfim, consegui cancelar...
E é por isso que venho utilizar esse espaço para colocar à venda 8 fascículos do Elmer, robozinho querido que viveu em minha imaginação por um tempo... Os interessados, por favor, mandem uma mensagem de carinho pra esse coração partido!!!
Ju
terça-feira, 19 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Dos preconceitos
O Estadão publicou hoje a notícia que 72 mil pessoas aderiram à petição que critica as atitudes e declarações do deputado Jair Bolsonaro. A petição chama "Proteja o Brasil de Bolsonaro" e tem como objetivo pedir a aprovação da lei anti-homofobia.
Esse Bolsonaro é um completo imbecil, isso é um fato. Mas toda essa celeuma me fez pensar e chegar a uma conclusão muito desagradável a meu próprio respeito...
Quando o Bolsonaro, ou qualquer outra pessoa expõe opiniões sobre os negros e gays, por exemplo, nós – a sociedade – nos armamos de um politicamente-corretismo absurdo aguardando qualquer traço de discordância para atacar. O cara fala que não admite que o filho dele seja gay e logo já surge um exército falando que é um absurdo e preconceituoso da parte dele falar uma coisa dessas. Tá que ele fala de uma forma agressiva que até incita violência e isso não pode ser nunca justificável. Mas a opinião pessoal do cara é dele.
Nós que condenamos temos as nossas próprias opiniões. E é justamente sobre isso que eu preciso pensar. Sobre a diferença das opiniões. Deixando claro que não está em questão a forma como isso é falado, e menos ainda quando essa opinião gera reações de ódio e agressão. Espero que esteja claro que isso está fora de questão.
Bom, em primeiro lugar o fato de ele – ou qualquer outra pessoa – simplesmente ser a favor ou contra alguma coisa não é discriminação. É opinião. Eu, por exemplo, sou contra regime de cotas para negros, índios ou qualquer outra etnia em universidades. Não por nenhum tipo de discriminação, simplesmente por que não acho que seja um método correto por não abranger outras pessoas que também precisam dessa preferência e não se enquadram por serem brancas. Por outro lado, eu sou a favor do casamento homossexual. Acho que isso não devia nem estar sendo discutido, isso já devia ser legal há muito tempo. Pois, eu sou a favor. E tenho esse direito. Ninguém me critica por isso por que eu estou amparada pelo politicamente-corretismo. Mas, como vivemos numa democracia, o Bolsonaro tem sim direito de ter opinião contrária. Ele pode inclusive expor o motivo que tem pra ser contra, caso queira. Ele pode, como deputado votar contra a lei anti-homofobia, por exemplo. Se não fosse pra ser assim, não teria sequer votação para aprovação das leis. Veja que com isso eu não estou validando a atitude discriminatória dele. São coisas diferentes ser contra e desrespeitar as pessoas. Eu sou contra cotas, mas não xingo ninguém que tenha entrado na universidade por cotas... e nem acho que devam perder as vagas. Acho que o modelo deveria ser revisto por que não atende de uma forma justa. Respeito deve ser mantido sempre. A questão é a opinião...
E tem outra coisa. Eu tenho uns preconceitos também. E falo eles, as vezes de forma até meio agressiva... mas muito raramente alguém rebate o que eu falei... as pessoas amparam o meu preconceito em uma justiça histórica, sei lá. Por exemplo, tenho muita antipatia e me refiro de forma meio ríspida aos militares. Pra mim são "milicos" . Mas, enfim, militares reprimiram a nossa nação por tanto tempo e fizeram tantas barbaridades que me dão o direito de me referir a eles assim. Dão mesmo? Eu tenho o direito de ter preconceito pelos militares? Eu posso me referir a eles de forma agressiva? Acho que não.
E esse é apenas um exemplo dos preconceitos que eu tenho e não sou repreendida quando falo deles. Não sou nem quando o assunto é mais polêmico como religião – que sou contra - ou aborto – que sou a favor.
O caso do Bolsonaro, que repito é um imbecil, me fez pensar e encontrar em mim mesma alguns preconceitos que eu nem me dava conta.
Eu posso estar viajando, mas estou aberta a qualquer consideração que me faça mudar de idéia.
Ju
Esse Bolsonaro é um completo imbecil, isso é um fato. Mas toda essa celeuma me fez pensar e chegar a uma conclusão muito desagradável a meu próprio respeito...
Quando o Bolsonaro, ou qualquer outra pessoa expõe opiniões sobre os negros e gays, por exemplo, nós – a sociedade – nos armamos de um politicamente-corretismo absurdo aguardando qualquer traço de discordância para atacar. O cara fala que não admite que o filho dele seja gay e logo já surge um exército falando que é um absurdo e preconceituoso da parte dele falar uma coisa dessas. Tá que ele fala de uma forma agressiva que até incita violência e isso não pode ser nunca justificável. Mas a opinião pessoal do cara é dele.
Nós que condenamos temos as nossas próprias opiniões. E é justamente sobre isso que eu preciso pensar. Sobre a diferença das opiniões. Deixando claro que não está em questão a forma como isso é falado, e menos ainda quando essa opinião gera reações de ódio e agressão. Espero que esteja claro que isso está fora de questão.
Bom, em primeiro lugar o fato de ele – ou qualquer outra pessoa – simplesmente ser a favor ou contra alguma coisa não é discriminação. É opinião. Eu, por exemplo, sou contra regime de cotas para negros, índios ou qualquer outra etnia em universidades. Não por nenhum tipo de discriminação, simplesmente por que não acho que seja um método correto por não abranger outras pessoas que também precisam dessa preferência e não se enquadram por serem brancas. Por outro lado, eu sou a favor do casamento homossexual. Acho que isso não devia nem estar sendo discutido, isso já devia ser legal há muito tempo. Pois, eu sou a favor. E tenho esse direito. Ninguém me critica por isso por que eu estou amparada pelo politicamente-corretismo. Mas, como vivemos numa democracia, o Bolsonaro tem sim direito de ter opinião contrária. Ele pode inclusive expor o motivo que tem pra ser contra, caso queira. Ele pode, como deputado votar contra a lei anti-homofobia, por exemplo. Se não fosse pra ser assim, não teria sequer votação para aprovação das leis. Veja que com isso eu não estou validando a atitude discriminatória dele. São coisas diferentes ser contra e desrespeitar as pessoas. Eu sou contra cotas, mas não xingo ninguém que tenha entrado na universidade por cotas... e nem acho que devam perder as vagas. Acho que o modelo deveria ser revisto por que não atende de uma forma justa. Respeito deve ser mantido sempre. A questão é a opinião...
E tem outra coisa. Eu tenho uns preconceitos também. E falo eles, as vezes de forma até meio agressiva... mas muito raramente alguém rebate o que eu falei... as pessoas amparam o meu preconceito em uma justiça histórica, sei lá. Por exemplo, tenho muita antipatia e me refiro de forma meio ríspida aos militares. Pra mim são "milicos" . Mas, enfim, militares reprimiram a nossa nação por tanto tempo e fizeram tantas barbaridades que me dão o direito de me referir a eles assim. Dão mesmo? Eu tenho o direito de ter preconceito pelos militares? Eu posso me referir a eles de forma agressiva? Acho que não.
E esse é apenas um exemplo dos preconceitos que eu tenho e não sou repreendida quando falo deles. Não sou nem quando o assunto é mais polêmico como religião – que sou contra - ou aborto – que sou a favor.
O caso do Bolsonaro, que repito é um imbecil, me fez pensar e encontrar em mim mesma alguns preconceitos que eu nem me dava conta.
Eu posso estar viajando, mas estou aberta a qualquer consideração que me faça mudar de idéia.
Ju
terça-feira, 5 de abril de 2011
Da série: tenho uma antipatia... Cursos
O professor entra na sala. Os alunos estão lá, reunidos. Aquele constrangimento inicial de estar em um lugar novo, diferente. O nome do curso é "Como fazer panquecas". O professor entra, cumprimenta os presentes. Pega seus pincéis coloridos e abre o flipchart. "Olá pessoal, eu sou o Fulano e vou ministrar o curso 'Como fazer panquecas'. Vamos nos apresentar. Gostaria que cada um dissesse seu nome, de onde veio, e qual é o seu objetivo com esse curso". Nesse momento ele se coloca a postos para começar a registrar o que seus alunos vão falar... Ah! Pára! Se tem uma coisa da qual eu tenho antipatia é isso... como assim da onde eu venho? Como assim qual o meu objetivo??? Eu to fazendo um curso pra aprender a fazer panquecas, qual você acha que pode ser o meu objetivo???
"Olá, boa tarde a todos, o meu nome é Juliana, eu vim de saturno e o meu objetivo no curso sobre como fazer panquecas é aprender a pintar unhas."
Sério? Qual pode ser o objetivo? Essa pergunta é mesmo necessária????
Mas tá, vai lá! A gente vai e fala que quer se aprimorar na arte da culinária, e ter uma aceitação maior entre os amigos e familiares.
E eis que começa o curso. E tudo que um aluno espera de qualquer curso é um professor que fique lá na frente ensinando... pois é esse o conceito da coisa.
O professor fala: "vamos começar com uma dinâmica de grupo..." Merda! Você pensa.
E ele continua "Todas as pessoas que são do signo de touro..." é que nunca tem uma explicação muito lógica pra dinâmicas de grupo "... vão ficar com os olhos vendados e escolher aleatoriamente um par para uma dança romântica..." ??? O que??? Qual a necessidade disso?? Qual o objetivo disso?? É só pra constranger???
O objetivo básico de dinâmicas de grupo é mostrar para os alunos que eles não devem ter dignidade, que o professor que manda aqui e que se os alunos não se submeterem ao que ele determinar, ninguém vai ter um diploma e que não importa se as dinâmicas não têm nada a ver com o objetivo do curso, no final das contas era mesmo muito tempo de aula que precisam ser preenchido de alguma forma, além de penalizar esses alunos malditos que obrigam aos pobres professores a não estarem tomando sol no clube pra estar lá, ensinando a fazer panquecas. Antipatia...
Pior é que pra terminar ainda tem a parte de "seus objetivos foram atendidos?" devidamente registrados no flipchart depois de vc e seu grupo ter acabado de compor um jingle para uma funerária que vocês inventaram para a última dinâmica do curso.
Ju
"Olá, boa tarde a todos, o meu nome é Juliana, eu vim de saturno e o meu objetivo no curso sobre como fazer panquecas é aprender a pintar unhas."
Sério? Qual pode ser o objetivo? Essa pergunta é mesmo necessária????
Mas tá, vai lá! A gente vai e fala que quer se aprimorar na arte da culinária, e ter uma aceitação maior entre os amigos e familiares.
E eis que começa o curso. E tudo que um aluno espera de qualquer curso é um professor que fique lá na frente ensinando... pois é esse o conceito da coisa.
O professor fala: "vamos começar com uma dinâmica de grupo..." Merda! Você pensa.
E ele continua "Todas as pessoas que são do signo de touro..." é que nunca tem uma explicação muito lógica pra dinâmicas de grupo "... vão ficar com os olhos vendados e escolher aleatoriamente um par para uma dança romântica..." ??? O que??? Qual a necessidade disso?? Qual o objetivo disso?? É só pra constranger???
O objetivo básico de dinâmicas de grupo é mostrar para os alunos que eles não devem ter dignidade, que o professor que manda aqui e que se os alunos não se submeterem ao que ele determinar, ninguém vai ter um diploma e que não importa se as dinâmicas não têm nada a ver com o objetivo do curso, no final das contas era mesmo muito tempo de aula que precisam ser preenchido de alguma forma, além de penalizar esses alunos malditos que obrigam aos pobres professores a não estarem tomando sol no clube pra estar lá, ensinando a fazer panquecas. Antipatia...
Pior é que pra terminar ainda tem a parte de "seus objetivos foram atendidos?" devidamente registrados no flipchart depois de vc e seu grupo ter acabado de compor um jingle para uma funerária que vocês inventaram para a última dinâmica do curso.
Ju
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