O que nos faz sair do lugar? O que faz que um dia cheio de problemas seja apenas mais um dia a se passar com aquela sensação de missão cumprida no final? A cenoura é a resposta;
O ser humano precisa de paixões. Nós temos que ter algo que nos motive, que nos faça querer vir trabalhar numa segunda preguiçosa, ou sair pra malhar num sábado chuvoso. Nós seres humanos precisamos de um estímulo qualquer, qual o burro com sua cenourinha amarada na ponta da vara, a ser perseguida infinitamente, sem esmorecer, por que a recompensa, ele sabe, é válida! Nós seres pensantes, abstraímos pensamentos de todos os tipos quando temos diante de nós as nossas cenouras.
Eu trabalho no que eu gosto? Então nem vejo que tá tão cedo quando saio de manhã que tenho até que acender os faróis. Aquela calça jeans linda vai fechar? Sempre gostei de alface, acelga, rabanete e tomate de almoço. Eu vou poder dar boas gargalhadas com meus amigos? Nem percebi que a reunião demorou tanto assim. Eu acho que vou me dar bem naquela prova? Não tem problema perder mais uma sessão de cinema, vai? Ele vai sorrir quando me encontrar ficando com aqueles olhinhos apertadinhos? Nem vi que agendei o pagamento de 6 parcelas de impostos a vencer.
É assim que funciona. Com as cenouras, a realidade muda. As coisas ficam fáceis. O dinheiro que não dá, dá. A balança que cobra o excesso do final de semana, te perdoa. Com as paixões, o trabalho é mais agradável. Cinco minutos de companhia dos bons amigos valem mais que cinquenta minutos de reunião. Uma horinha em um café e conversa jogada fora apagam os problemas de um mês de trânsito.
O complicado é quando não tem a cenoura. Quando as paixões estão escassas. Nada parece dar certo. A sensação de que tem uma correia patinando e que a gente não sai do lugar. Nada parece valer realmente a pena. O sono pesa mais que o trabalho bacana. Somos magras tristes, nas calças jeans dos sonhos. A reunião estressa tanto que não consigo nem achar graça do que os meus amigos dizem. Tenho certeza que nunca vou passar naquela prova e os olhinhos apertados dele riem de você e não pra você. Quando não se tem um foco, uma recompensa nada parece dar muito certo.
As coisas não tem lá muito sentido. Isso que eu faço não me leva a lugar algum. Vou abandonar tudo e todos e vender pulseirinhas hippies na beira da praia que é o melhor que eu faço. Ganhar o suficiente pra comer. Não precisar conviver com gente, esse bicho complicado. Adeus, sem dar muita satisfação pra quem fica. So long and thanks for all the fish!
Mas é uma questão de parar e olhar pros lados. Por que às vezes, a recompensa está muito mais próxima do que se consegue perceber. Nem sempre é uma cenoura. Às vezes é o reconhecimento de um trabalho, um cafuné, um bolo de chocolate do café Martinica, um beijo na boca, um banho de hidromassagem ou um comichão de adolescente quando se escuta uma música bonita. Cabe a nós também, fazer valer a pena. Cabe a nós encontrarmos nossas cenouras.
Ju