segunda-feira, 22 de agosto de 2011

So long, and thanks for all the fish

O que nos faz sair do lugar? O que faz que um dia cheio de problemas seja apenas mais um dia a se passar com aquela sensação de missão cumprida no final? A cenoura é a resposta;

O ser humano precisa de paixões. Nós temos que ter algo que nos motive, que nos faça querer vir trabalhar numa segunda preguiçosa, ou sair pra malhar num sábado chuvoso. Nós seres humanos precisamos de um estímulo qualquer, qual o burro com sua cenourinha amarada na ponta da vara, a ser perseguida infinitamente, sem esmorecer, por que a recompensa, ele sabe, é válida! Nós seres pensantes, abstraímos pensamentos de todos os tipos quando temos diante de nós as nossas cenouras.

Eu trabalho no que eu gosto? Então nem vejo que tá tão cedo quando saio de manhã que tenho até que acender os faróis. Aquela calça jeans linda vai fechar? Sempre gostei de alface, acelga, rabanete e tomate de almoço. Eu vou poder dar boas gargalhadas com meus amigos? Nem percebi que a reunião demorou tanto assim. Eu acho que vou me dar bem naquela prova? Não tem problema perder mais uma sessão de cinema, vai? Ele vai sorrir quando me encontrar ficando com aqueles olhinhos apertadinhos? Nem vi que agendei o pagamento de 6 parcelas de impostos a vencer.

É assim que funciona. Com as cenouras, a realidade muda. As coisas ficam fáceis. O dinheiro que não dá, dá. A balança que cobra o excesso do final de semana, te perdoa. Com as paixões, o trabalho é mais agradável. Cinco minutos de companhia dos bons amigos valem mais que cinquenta minutos de reunião. Uma horinha em um café e conversa jogada fora apagam os problemas de um mês de trânsito.

O complicado é quando não tem a cenoura. Quando as paixões estão escassas. Nada parece dar certo. A sensação de que tem uma correia patinando e que a gente não sai do lugar. Nada parece valer realmente a pena. O sono pesa mais que o trabalho bacana. Somos magras tristes, nas calças jeans dos sonhos. A reunião estressa tanto que não consigo nem achar graça do que os meus amigos dizem. Tenho certeza que nunca vou passar naquela prova e os olhinhos apertados dele riem de você e não pra você.  Quando não se tem um foco, uma recompensa nada parece dar muito certo.

As coisas não tem lá muito sentido. Isso que eu faço não me leva a lugar algum. Vou abandonar tudo e todos e vender pulseirinhas hippies na beira da praia que é o melhor que eu faço. Ganhar o suficiente pra comer. Não precisar conviver com gente, esse bicho complicado. Adeus, sem dar muita satisfação pra quem fica. So long and thanks for all the fish!

Mas é uma questão de parar e olhar pros lados. Por que às vezes, a recompensa está muito mais próxima do que se consegue perceber. Nem sempre é uma cenoura. Às vezes é o reconhecimento de um trabalho, um cafuné, um bolo de chocolate do café Martinica, um beijo na boca, um banho de hidromassagem ou um comichão de adolescente quando se escuta uma música bonita. Cabe a nós também, fazer valer a pena. Cabe a nós encontrarmos nossas cenouras.

Ju

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Burocracia cíclica

Tive um problema com o Detran. Quis registar uma reclamação, por que entendo que por mais que o meu problema especificamente não possa ser resolvido, a situação como um todo deve ser vista e percebida pelo órgão, que segundo me consta, está lá para prestar serviços para a população pagadora de impostos.

Para fazer o registro da minha reclamação entrei no site do Detran e procurei a parte de “ouvidoria”, “comentários, dúvidas e reclamações” ou algo que o valha. Lá embaixo, no cantinho da página um link de “fale conosco”. Cliquei já tendo na minha mente o texto da meu relato. Qual não é a minha surpresa ao me deparar com um número de telefone para reclamações.

Estamos em 2011. Moro na capital do país. O Detran, e pelo que eu pude perceber, todos os outros órgãos do  GDF não possuem qualquer tipo de contato com os cidadãos via Internet. Nada. Niente.
A gente tem que ligar e passar pelo gerundísmo dos atendentes para registrar qualquer contato com qualquer órgão do GDF. Isso não vai dar em nada. Vou ligar, contar a minha história triste pra o operador terceirizado que vai datilografar minha reclamação num papel carbonado e encaminhar ao departamento responsável. Quando o meu papel estiver na pilha com outros milhares de “reclamações”, o moço do café, sem querer vai tropeçar e molhar a papelada... “vamos jogar esses de cima fora, senão vai dar barata” e lá vai a minha reclamação... nunca vou ter uma resposta. Ninguém nunca vai perceber que aquele problema existe. 

Comentando isso aqui no trabalho, tive mil outros exemplos de serviços mal (ou não) prestados pelo Governo do Distrito Federal.

Nós, a população pagadora de impostos, temos que ir pessoalmente até um órgão qualquer para receber como resposta padrão que o sistema está fora do ar, ou que é necessário voltar depois do meio dia, por que o funcionário que trabalha ali faz um horário diferenciado. Quando não mandam a gente passar uma semana inteira arrecadando os mais variados documentos e carimbos, pra no final das contas, ao entregar a papelada, escutar de um funcionário cansado de que nada aquilo era necessário.

O que podemos fazer? Nós como usuários prejudicados podemos reclamar e sugerir. Podemos mostrar que caminhos mais fáceis e seguros podem ser utilizados. Podemos questionar e fazer alguém que faz as normas pensar se realmente é necessário tanto carimbo, tanta cópia, tanta certidão para receber um documento. Podemos mostrar que vale a pena investir em um sistema mais robusto que consiga centralizar documentos. Que consiga receber e direcionar sugestões e dúvidas. Um sistema que faça o órgão, mantido com nossos impostos, preste contas do que está sendo feito e providenciado. Onde o órgão possa pedir desculpas à população pelo serviço mal prestado, por prazos perdidos. Que possa ajudar a mudar a mentalidade de quem está lá conduzindo o serviço.

Mas sério, dá muito trabalho ir lá protocolar uma reclamação. A gente acaba dando um jeito, chupando a manga, resolvendo o nosso problema, ou aceitando a merda e deixando quieto, torcendo pra não precisar tão cedo desse serviço novamente. Vou ver se arrumo um tempo na hora do almoço pra ir lá reclamar... se bem que na hora do almoço não deve funcionar.... talvez eu pegue uma folga pra isso... ou use minhas férias.

Ju