quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dos preconceitos

O Estadão publicou hoje a notícia que 72 mil pessoas aderiram à petição que critica as atitudes e declarações do deputado Jair Bolsonaro. A petição chama "Proteja o Brasil de Bolsonaro"  e tem como objetivo pedir a aprovação da lei anti-homofobia.

Esse Bolsonaro é um completo imbecil, isso é um fato. Mas toda essa celeuma me fez pensar e chegar a uma conclusão muito desagradável a meu próprio respeito...
Quando o Bolsonaro, ou qualquer outra pessoa expõe opiniões sobre os negros e gays, por exemplo, nós – a sociedade – nos armamos de um politicamente-corretismo absurdo aguardando qualquer traço de discordância para atacar. O cara fala que não admite que o filho dele seja gay e logo já surge um exército falando que é um absurdo e preconceituoso da parte dele falar uma coisa dessas. Tá que ele fala de uma forma agressiva que até incita violência e isso não pode ser nunca justificável. Mas a opinião pessoal do cara é dele.

Nós que condenamos temos as nossas próprias opiniões. E é justamente sobre isso que eu preciso pensar. Sobre a diferença das opiniões. Deixando claro que não está em questão a forma como isso é falado, e menos ainda quando essa opinião gera reações de ódio e agressão. Espero que esteja claro que isso está fora de questão.

Bom, em primeiro lugar o fato de ele – ou qualquer outra pessoa – simplesmente ser a favor ou contra alguma coisa não é discriminação. É opinião. Eu, por exemplo, sou contra regime de cotas para negros, índios ou qualquer outra etnia em universidades. Não por nenhum tipo de discriminação, simplesmente por que não acho que seja um método correto por não abranger outras pessoas que também precisam dessa preferência e não se enquadram por serem brancas. Por outro lado, eu sou a favor do casamento homossexual. Acho que isso não devia nem estar sendo discutido, isso já devia ser legal há muito tempo. Pois, eu sou a favor. E tenho esse direito. Ninguém me critica por isso por que eu estou amparada pelo politicamente-corretismo. Mas, como vivemos numa democracia, o Bolsonaro tem sim direito de ter opinião contrária. Ele pode inclusive expor o motivo que tem pra ser contra, caso queira. Ele pode, como deputado votar contra a lei anti-homofobia, por exemplo. Se não fosse pra ser assim, não teria sequer votação para aprovação das leis. Veja que com isso eu não estou validando a atitude discriminatória dele. São coisas diferentes ser contra e desrespeitar as pessoas. Eu sou contra cotas, mas não xingo ninguém que tenha entrado na universidade por cotas... e nem acho que devam perder as vagas. Acho que o modelo deveria ser revisto por que não atende de uma forma justa. Respeito deve ser mantido sempre. A questão é a opinião...

E tem outra coisa. Eu tenho uns preconceitos também. E falo eles, as vezes de forma até meio agressiva... mas muito raramente alguém rebate o que eu falei... as pessoas amparam o meu preconceito em uma justiça histórica, sei lá. Por exemplo, tenho muita antipatia e me refiro de forma meio ríspida aos militares. Pra mim são "milicos" . Mas, enfim, militares reprimiram a nossa nação por tanto tempo e fizeram tantas barbaridades que me dão o direito de me referir a eles assim. Dão mesmo? Eu tenho o direito de ter preconceito pelos militares? Eu posso me referir a eles de forma agressiva? Acho que não.

E esse é apenas um exemplo dos preconceitos que eu tenho e não sou repreendida quando falo deles. Não sou nem quando o assunto é mais polêmico como religião – que sou contra - ou aborto – que sou a favor.

O caso do Bolsonaro, que repito é um imbecil, me fez pensar e encontrar em mim mesma alguns preconceitos que eu nem me dava conta.

Eu posso estar viajando, mas estou aberta a qualquer consideração que me faça mudar de idéia.

Ju

Um comentário:

  1. O texto não foi baseado no texto do Noblat, sobre o mesmo tema, publicado em seu blog em 04/04, como foi muito bem observado pela Lu, apesar da semelhança.

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