Foi assinada pela Presidenta Dilma e pelos Ministros da Justiça e Educação uma alteração na lei de execução penal que autoriza o desconto de um dia de pena para cada 12 horas que o detento freqüentar aulas.
Olha, ou tem alguma coisa muito errada no mundo ou na minha cabeça, não é possível.
A princípio, a pessoa que se encontra presa, cumprindo pena em um presídio cometeu um crime. Ela roubou alguém, um trabalhador que precisava do dinheiro pra comprar comida pra sua família. Roubou um carro de uma mãe pagava em prestações pra levar seus filhos a escola. Roubou dinheiro público, que seria investido em um hospital. Esse criminoso assassinou o filho de alguém, o pai de alguém. Acabou com a estrutura de uma família. Criou traumas violentos em pessoas. Bateu em velhos. Abusou de crianças. Estuprou mulheres. Esse criminoso não merece ter uma lei que cuide de seus direitos. As vítimas dele mereciam ter.
A nova redação dessa lei, além de garantir a redução da pena vinculada à freqüência nas aulas, mantém ainda a possibilidade de trocar dias de trabalho por tempo de condenação.
Eu, todos os dias, levanto cedo e venho pro trabalho. Trabalho pra pagar a comida que eu como. Pra pagar o teto que eu moro, o colchão em que eu durmo. Trabalho pra poder pagar o meu direito a lazer. Eu trabalho para pagar impostos que me garantam segurança e impeçam que um filho de uma puta malacabado desses me roube o que eu tenho e conquistei no dia a dia. Trabalho pra que o nível de segurança da sociedade seja suficiente para que eu e os meus não sejamos vítimas de um seqüestro ou um assassinato.
Mas o detento bonitão tá lá no presídio, (que tem uma péssima estrutura e tem mesmo que ter, já que não é um hotel aquela merda) e com o dinheiro do imposto que eu pago, ele come. Ele joga bola à tarde, depois do vale a pena ver de novo, enquanto eu to aqui trabalhando pra pagar mais impostos. Ele fica putinho por que resolveram não deixar mais entrar celular no presídio - afinal de contas, de novo ele não está lá de férias, mas sendo penalizado por algo de errado que fez – e queima os colchões em protesto. O que a gente faz??? Trabalha mais pra comprar colchões novos pro maldito.
Ele trabalha não é pra pagar a comida, o futebol, a ginástica, a televisão e o colchão não. Ele trabalha pra ficar menos tempo preso. Ele trabalha e ganha um bônus! Como ele é bonzinho!
E agora, mais essa. O fato do malacabado freqüentar a escola já deveria ser considerado um bônus.
Caso ele trabalhasse, ele teria direito de comer, dormir e até a freqüentar a escola. Isso não pode ser o fato gerador de mais um benefício.
A educação que eles precisam pra se reenquadrar na sociedade não é aprender o be-a-ba, não. Isso é pras crianças. Pra sociedade. Pras pessoas de bem. Os presidiários devem ser reeducados sim, presos com correntes e bolas de ferro, tampando buracos de estradas e rodovias. Quebrando pedras. Limpando bocas de lobo das cidades. Reformando os presídios e escolas. A educação que se deve dar é que as coisas que se tem (comida, colchão e lazer) são conquistadas com trabalho. Que ele até tenha direito a freqüentar a escola, mas mediante pagamento em serviços e que isso não reduza em nem um único minuto a sua pena.
Ju
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